A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou uma nova peça eleitoral que utiliza uma versão adaptada de “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, de Bad Bunny, para abordar a defesa da soberania nacional. Segundo a campanha, a equipe do cantor porto-riquenho autorizou o uso da música. O vídeo relaciona a mensagem da canção a referências às tensões com o governo de Donald Trump e termina com Lula afirmando que “O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”.
VEJA O VÍDEO:
Vídeo começa com narração de Wagner Moura
A propaganda começa com uma narração do ator Wagner Moura, que apresenta uma narrativa sobre a origem do sobrenome Silva e sua relação com a chegada dos portugueses ao Brasil.
“Quando os portugueses chegaram, em 1500, encontraram a selva. Selva em latim é Silva. Quem nascia aqui, para eles, era ‘da selva’. O povo brasileiro sempre foi ‘da Silva’.”
Na sequência, a versão adaptada da música apresenta versos relacionados à defesa do território e dos recursos naturais brasileiros:
“Querem tomar o rio, e também a praia, querem as terras raras, querem que a gente saia. Não largue a bandeira, não esqueça o que vivi, não quero que façam contigo, o que fazem por aí.”
A peça também apresenta imagens de apoiadores do bolsonarismo carregando bandeiras dos Estados Unidos e referências a medidas e declarações associadas ao governo Trump.
O discurso de soberania tem sido utilizado pela campanha de Lula em meio às tensões entre Brasil e Estados Unidos. A defesa da soberania também aparece em outras peças eleitorais do candidato.
Música faz referência a Porto Rico e ao Havaí
“Lo Que Le Pasó a Hawaii” integra o álbum Debí Tirar Más Fotos, de Bad Bunny, vencedor do Grammy de Melhor Álbum do Ano em 2026. A faixa aborda questões relacionadas à identidade de Porto Rico e estabelece uma comparação com o processo histórico de anexação do Havaí pelos Estados Unidos.
Na propaganda brasileira, a campanha adaptou a mensagem da música para tratar de temas relacionados ao território, aos recursos naturais e à soberania do Brasil.
O uso da canção também aproxima a peça eleitoral de discussões presentes na obra de Bad Bunny sobre identidade cultural, influência norte-americana e questões políticas e sociais de Porto Rico.
VEJA A MÚSICA:
Bad Bunny já criticou políticas de Trump
Bad Bunny também utilizou sua projeção internacional para se posicionar sobre questões relacionadas à política dos Estados Unidos, especialmente em relação à imigração.
Durante a campanha presidencial norte-americana de 2024, o cantor manifestou apoio à candidatura de Kamala Harris e criticou Donald Trump após um comediante que participou de um comício do republicano se referir a Porto Rico como uma “ilha de lixo flutuante”.
O artista também adotou uma postura de maior distância do mercado norte-americano em sua última turnê. A decisão foi relacionada à preocupação com operações de imigração realizadas pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE), especialmente pelo impacto sobre imigrantes que vivem no país.
Em 2026, Bad Bunny também se apresentou no intervalo do Super Bowl, em uma performance marcada por referências à identidade latino-americana.
Mensagem final
Depois das referências à soberania, à identidade nacional e aos recursos brasileiros, o vídeo termina com uma declaração do presidente Lula:
“O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro.”
A peça faz parte da estratégia de comunicação eleitoral de Lula em torno do tema da soberania nacional, que ganhou espaço nas propagandas da campanha durante as discussões envolvendo o governo Trump e as relações entre Brasil e Estados Unidos.