Mais de 265 mil eleitores brasileiros estão aptos a votar nos Estados Unidos nas eleições de 2026. Para viabilizar a votação, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) preparou 344 seções eleitorais no país. Apesar do número expressivo de eleitores, o receio provocado por operações do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, pode afastar parte dos brasileiros das urnas.

O endurecimento da atuação de agentes do ICE tem causado apreensão entre imigrantes que vivem nos Estados Unidos. Mesmo entre residentes legais e regularizados, há brasileiros que relatam preocupação com as operações do órgão, que, durante a gestão de Donald Trump, passou a atuar de forma mais ostensiva.

O temor de comparecer aos locais de votação está relacionado à possibilidade de que o período eleitoral facilite a atuação das autoridades de imigração. Isso porque centenas de imigrantes deixam suas residências para se reunir em endereços específicos e em horários previamente definidos, o que poderia facilitar a identificação e a abordagem dessas pessoas.

A preocupação também é acompanhada por integrantes do governo brasileiro, que informaram estar monitorando a situação nos Estados Unidos e o tratamento dado aos imigrantes brasileiros durante o período eleitoral.

Eleições no exterior

O Brasil tem mais de 918 mil eleitores aptos a votar no exterior nas eleições de 2026. Eles estão distribuídos por 134 países, sendo Estados Unidos, Portugal e Japão os três países que concentram o maior número de eleitores brasileiros fora do território nacional.

Somente nos Estados Unidos, são mais de 265 mil eleitores aptos a votar. Ao todo, serão 344 seções eleitorais distribuídas pelo país.

Fora do Brasil, a votação é exclusiva para os cargos de presidente e vice-presidente da República.

Embaixada e Itamaraty atuam para mitigar riscos

Diante do receio relatado por brasileiros que vivem nos Estados Unidos, o Itamaraty, em conjunto com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Embaixada do Brasil em Washington, adotou medidas para reduzir possíveis riscos e evitar aglomerações do lado de fora dos locais de votação.

Fontes diplomáticas informaram ao Metrópoles que houve preocupação com a escolha dos espaços destinados à votação, especialmente para evitar a exposição dos eleitores em áreas externas.

Em nota, o Itamaraty explicou que a definição dos locais considera a estrutura física, a capacidade de receber todas as seções eleitorais e a facilidade de acesso para a comunidade brasileira. Segundo o ministério, escolas, universidades e, em alguns casos, igrejas são escolhidas para receber as seções por permitirem acomodar os eleitores de forma adequada.

O Brasil possui 11 representações diplomáticas nos Estados Unidos, incluindo a Embaixada do Brasil em Washington. Os 10 consulados brasileiros no país participam da organização das eleições. Ao todo, a votação ocorrerá em 14 localidades:

  • Miami;
  • Orlando;
  • Atlanta;
  • Washington;
  • Nova York;
  • Chicago;
  • Houston;
  • Dallas;
  • Hartford;
  • São Francisco;
  • Los Angeles;
  • Salt Lake City;
  • Malden, na jurisdição de Boston;
  • Framingham, na jurisdição de Boston.

Em Nova York, por exemplo, o Consulado-Geral do Brasil alterou o local de votação. Em 2022, os eleitores precisaram se deslocar até Manhattan. Neste ano, a votação será realizada em uma escola no Queens, a cerca de 16 quilômetros da sede do consulado, em Manhattan. O novo endereço não possui acesso direto ao metrô.

A escolha do novo local também levou em consideração o receio de operações de imigração. Manhattan é uma das áreas que concentram grande número de imigrantes e tem sido alvo de operações do ICE. O espaço escolhido para receber as eleições neste ano, por outro lado, possui estrutura para acomodar os eleitores dentro da escola, reduzindo a necessidade de formação de filas do lado de fora.

Embora a preocupação com possíveis abordagens alcance diferentes grupos de imigrantes, o temor é maior entre aqueles que vivem de forma irregular no país. Segundo estimativas do Itamaraty, cerca de 2 milhões de brasileiros vivem atualmente nos Estados Unidos, enquanto pouco mais de 265 mil estão aptos a votar nas eleições deste ano.