A Arquidiocese de Teresina divulgou, na noite de segunda-feira (28), uma carta com orientações para o período das Eleições 2026. O documento foi apresentado pelos vigários-gerais da Arquidiocese, padres Amadeu Matias e Osório Teixeira Neto, e destaca a importância do voto consciente, do compromisso com o bem comum e da participação cidadã.
Na carta, os representantes da Arquidiocese afirmam que o período eleitoral deve ser uma oportunidade para fortalecer a democracia e alertam para a necessidade de evitar rivalidades e disputas motivadas pela busca de poder.
“A Arquidiocese de Teresina apresenta algumas orientações para este período eleitoral, à luz da fé cristã, destacando a importância do voto consciente, do compromisso com o bem comum e da participação cidadã”, diz o documento.
Ao final da carta, a Arquidiocese afirma confiar à Mãe Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, a fidelidade na construção de uma sociedade solidária e fraterna “a caminho do Reino Definitivo”.
Confira as orientações da Arquidiocese
Na primeira orientação, a Arquidiocese aborda o significado da política e cita o papa Francisco, que defendeu uma política voltada para o bem comum.
A segunda orientação trata das eleições como um momento de participação democrática e ressalta que a compra e a venda de votos são práticas criminosas.
O documento também orienta os fiéis a não transformarem o período eleitoral em espaço de rivalidades ou de busca individual por poder.
Igreja reforça que não apoia candidatos
A carta reforça que a Igreja Católica não possui partido ou candidato e afirma que sua atuação política deve estar relacionada aos princípios do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja.
Na quinta orientação, a Arquidiocese recomenda que os eleitores não baseiem suas escolhas apenas em conteúdos publicados nas redes sociais e destaca a necessidade de conhecer o histórico dos candidatos.
A Arquidiocese também aborda a participação de religiosos e fiéis leigos na política e cita um documento dos bispos do Regional Nordeste IV da CNBB, publicado em 2020.
Na sétima e última orientação, a Arquidiocese volta a afirmar que não possui candidato ou partido político e orienta que fiéis não utilizem o nome da instituição ou de comunidades religiosas para indicar candidaturas.
Carta termina com alerta sobre democracia
Ao final do documento, a Arquidiocese cita uma fala do Papa Leão XIV durante uma sessão plenária da Pontifícia Academia de Ciências Sociais. Segundo a carta, a Doutrina Social da Igreja considera o poder não como um fim em si mesmo, mas como um meio destinado ao bem comum.
“Isso implica que a legitimidade da autoridade não depende do acúmulo de poder econômico ou tecnológico, mas da sabedoria e da virtude com que é exercida”, afirma a citação atribuída ao pontífice.
A carta também reproduz um alerta sobre a democracia, afirmando que ela permanece saudável quando está fundamentada na lei moral e em uma verdadeira visão da pessoa humana. Sem esse alicerce, segundo o documento, a democracia “corre o risco de se tornar uma tirania majoritária ou uma máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas”.