Aos 18 anos, o estudante Jhonata Lima Silva, aluno da 3ª série do ensino médio de uma escola pública do Piauí, conquistou uma oportunidade internacional ao ser contratado por uma empresa multinacional com sede em Moscou, na Rússia, para ensinar programação a jovens de diferentes regiões.
Aluno do Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) Modestina Bezerra, em Teresina, onde também cursa formação técnica em programação de jogos digitais, o jovem é natural de Pedro II, no Norte do estado. Atualmente, mora no bairro Dirceu 2, zona sudeste da capital, com a mãe, Dona Maria, e três irmãos: Charles, de 22 anos, Herbert, de 13, e Elis, de 5.
Em janeiro deste ano, Jhonata assinou um contrato de dois anos com a Kodland, empresa fundada na Rússia em 2018 e especializada no ensino de programação para crianças e adolescentes. Apesar da sede em Moscou, o estudante atua ministrando aulas para alunos brasileiros.
Aprendizado começou ainda no ensino médio
O estudante contou que o interesse pela programação começou ainda no primeiro ano do ensino médio, quando teve contato com conteúdos oferecidos por uma plataforma educacional da Secretaria de Estado da Educação do Piauí (Seduc), voltada ao desenvolvimento de jogos e lógica computacional.
“Toda a lógica de programação, tudo o que eu ensino hoje, foi ensinado nessa plataforma”, relatou.
Jhonata já se destacou em diversos projetos e competições acadêmicas. Entre os principais, está o desenvolvimento do jogo educativo “Polyglot”, criado em parceria com colegas de turma. A ferramenta utiliza inteligência artificial para auxiliar no ensino de idiomas, oferecendo recursos como correção de pronúncia em tempo real. O projeto foi apresentado em um evento em Brasília.
Estudante Jhonata Lima Silva (Foto: Reprodução)
Como conquistou a vaga
A oportunidade surgiu após o jovem identificar a vaga por meio do LinkedIn. Interessado na proposta, ele decidiu se candidatar e passou por etapas do processo seletivo.
“Minha contratação levou cerca de um mês e meio. Nesse período, passei por diversos testes, incluindo aulas práticas e o desenvolvimento de um mini projeto de programação para demonstrar meus conhecimentos”, contou o estudante.
Jhonata também destacou que os projetos desenvolvidos ao longo do ensino médio, além da participação em competições, tiveram papel importante na avaliação do currículo.
“Acredito que o que fez diferença na minha contratação foi demonstrar conhecimento na área de programação e, claro, na forma de lecionar. Ao longo do meu ensino médio, venho desenvolvendo projetos e, claro, me aprofundando em programação com o curso técnico da escola. Meus estudos em Python e na criação de jogos 2D foram decisivos para os testes que precisei passar”, disse.
Após a inscrição, ele passou por testes que avaliaram tanto a didática quanto o domínio técnico em programação, sendo aprovado em seguida. Atualmente, atua como tutor nas linguagens Python e Scratch.
Para o estudante o aprendizado adquirido em sala de aula foi fundamental para a conquista profissional (Foto: Reprodução)
“Foi na escola que consegui aprender sobre programação e decidi ampliar esse conhecimento. Participei de projetos e comecei a enxergar a programação como profissão. Gosto muito de aprender coisas novas e, claro, estudar programação. Minha rotina hoje é estudar na escola em tempo integral, dar aulas a partir das 19h e, depois, estudar os conteúdos do ENEM", acrescentou.
Aulas focadas em prática e criatividade
O trabalho desenvolvido por Jhonata envolve aulas com foco em projetos práticos, que estimulam a lógica e a criatividade dos alunos.
“A gente utiliza projetos reais para fixar o conteúdo que é ensinado em aula. Sinto-me muito feliz ao saber que posso transmitir o conhecimento que tenho aos meus alunos e incentivá-los a estudar programação. Tenho consciência de que ainda sou novo e preciso me aprofundar muito mais."
Durante as atividades, os estudantes desenvolvem jogos simples e trabalham conceitos como mecânica, lógica e elementos visuais, aplicando na prática o conteúdo aprendido.
O Python, uma das linguagens mais utilizadas no mundo da tecnologia, é conhecido por sua versatilidade e facilidade de leitura. Já o Scratch é uma linguagem visual voltada para iniciantes, na qual os comandos são organizados em blocos coloridos.
Planos para o futuro
Mesmo com a experiência internacional, Jhonata já projeta os próximos passos na carreira. Entre os objetivos, está a formação em nível superior na área de tecnologia.
Meu objetivo é conseguir uma vaga no ensino superior nos cursos de Engenharia de Software ou Ciência de Dados; também considero a área de Ciência da Computação. O que conquistei até agora foi apenas o começo. Vou refinar meus conhecimentos e buscar professores que possam me ensinar ainda mais sobre programação", disse.