Do Enem para o Mundo: alunos da rede pública do Piauí ampliam aprendizado com intercâmbio educacional

Estudantes do CETI João Pacífico de Moura Neto retornam de intercâmbio nos EUA e compartilham experiências de tecnologia, inovação e desenvolvimento pessoal com escola

Alunos usando tablets em sala de aula
Alunos Kelson Gonçalves, Ana Isabelly Barroso e Gustavo Henrique Penha | Raíssa Morais/ Meio News

Nem toda viagem termina no destino. Para Ana Isabelly Barroso, Kelson Gonçalves e Gustavo Henrique Penha, a experiência internacional nos Estados Unidos ganha novo significado ao ser compartilhada com quem permanece na mesma sala de aula onde começaram a descobrir sua paixão profissional.

Ainda em período de férias, os três estudantes retornaram ao CETI João Pacífico de Moura Neto, no bairro Renascença, em Teresina, com uma missão diferente da rotina escolar. Desta vez, são eles que assumem o papel de educadores, transmitindo saberes e vivências adquiridos durante o intercâmbio realizado no exterior.

A escola de tempo integral se destaca não apenas pela proposta pedagógica, mas também pelo espaço físico. Inspirado nos Institutos Federais, o prédio valoriza áreas verdes, corredores abertos e plantas que se espalham até pelos vãos da escada, criando um ambiente que contrasta com o calor intenso da capital piauiense e reforça a ideia de acolhimento e permanência.

Com cerca de 1.200 alunos distribuídos nos três turnos, o CETI mantém uma rotina intensa, especialmente para as turmas do terceiro ano do ensino médio, que somam 11 classes e vivem a expectativa das escolhas que antecedem a vida universitária.

É na biblioteca da escola que a introdução de ao encontro acontece. Reunidos em uma roda de conversa, Ana Isabelly, Kelson e Gustavo assumem o centro da atenção ao compartilhar descobertas, aprendizados e novas perspectivas construídas durante o intercâmbio realizado em novembro do ano passado, em Massachusetts (EUA), após o Seduckathon, uma maratona de tecnologia promovida pelo Governo do Estado.

Kelson, Gustavo Henrique e Ana Isabelly compartilham experiências do intercâmbio (Foto: Raíssa Morais/ Meionews)

Onde a vocação ganha forma

Para os professores, Ana Isabelly relembrou como o espaço de robótica despertou seu interesse e permitiu aprofundar habilidades técnicas.

“Lá no Shop de Robótica eles têm vários equipamentos, então quando você tem interesse em uma área, você pode ir lá, se aprofundar naquela área que você quer, e fazer várias coisas lá. Então você pode se especializar bem na área que você deseja.”

O retorno desses estudantes ao ambiente escolar mostra que aprender vai além de livros e provas. O que eles trouxeram é a integração entre habilidades técnicas, vivência cultural e desenvolvimento de competências socioemocionais, como organização, autoconfiança e assertividade.

No centro, Ana Isabelly; à direita, Gustavo Henrique e à esquerda, Kelson (Foto: Raíssa Morais/ Meionews)

“Conhecemos a Universidade de Harvard. Então, foram várias experiências, a gente vivenciou, foi bastante legal, além de poder conhecer outras pessoas, novas estruturas. Um outro mundo!”, relembrou Ana Isabelly, animada com a bagagem adquirida.

Tecnologia em ação

O encantamento com a tecnologia foi unânime entre os jovens. Para Gustavo Henrique, o mergulho em inovação e equipamentos de ponta foi um dos pontos mais marcantes da experiência.

“A gente mexeu em equipamentos que nunca pensamos em tocar, como impressora 3D e braços robóticos gigantes. Abriram muito nossa mente sobre TI e robótica e acrescentaram bastante ao nosso desenvolvimento”, contou.

Embora os pais não estejam presentes fisicamente na escola, o apoio recebido em casa permitiu que os alunos participassem integralmente do intercâmbio, aproveitando cada oportunidade e transformando essas vivências em aprendizado coletivo.

A escola, por sua vez, oferece espaço seguro e acolhedor, permitindo que os alunos testem ideias, compartilhem saberes e inspirem colegas e professores. A biblioteca se tornou palco de um ciclo de desenvolvimento que integra esforço individual, oportunidade e participação comunitária.

Ele ainda revelou que gostaria de um dia ver esses equipamentos incorporados ao ensino da rede pública estadual.

Gustavo destacou também o valor da experiência cultural e da convivência em grupo.

“O que eu mais gostei foi a ideia de sair do Brasil, né? Visitar outro país, principalmente os Estados Unidos, todo mundo tem aquele sonho americano, conhecer os lugares, os ambientes. Todo mundo se conheceu, teve suas convivências e foi aprendendo um com o outro. Foi uma experiência marcante em nossas vidas.”


Alunos encontraram na tecnologia uma forma de explorar habilidades de maneira inovadora (Foto: Raíssa Morais/ Meionews)

Construindo em conjunto

Cada equipamento tocado, cada desafio enfrentado, cada nova amizade construída se transforma em aprendizado compartilhado. Isabelle, Kelson e Luiz Carlos conduzem atividades práticas, discutem projetos e mostram que o aprendizado também acontece na vivência, não apenas em conteúdos teóricos.

Kelson percebeu diferenças na metodologia das aulas, que estimulavam atenção e participação ativa.

“O que mais chamou minha atenção foi no horário da aula, eles podiam ouvir música, música relaxante, para ajudar no envolvimento, e eu acho que poderia ser aplicada aqui no Brasil também, essas aulas mais leves, se ensinasse mais lúdico, eu acho que funcionaria bem”, disse.

Ele ainda destacou como os alunos interagiam com a comunidade, aplicando os conhecimentos de forma prática.

“Os alunos estudavam e, ao mesmo tempo, tinham interação com o mundo do trabalho. Tinha semana que, às vezes, eles iam até as comunidades, realmente, iam oferecer os serviços deles. E a comunidade pagava para isso. Eles ofereceram nas escolas.”

O relato dos estudantes incentiva colegas a refletirem sobre suas escolhas, trajetória profissional e desenvolvimento pessoal. Cada história reforça que o apoio familiar, mesmo à distância, e a estrutura escolar são fundamentais para formar personalidades preparadas para desafios.

O olhar do professor

A professora Avylin Silva refletiu sobre o aprendizado dos alunos e o impacto na escola.

“Com a cabeça de professora, eu dizia assim, não, isso aqui é legal, vou aplicar para as minhas aulas, isso aqui é legal, vou aplicar com os meus alunos. Então, é uma oportunidade. Conhecer, ver de perto e poder agregar isso nas aulas, torná-las mais eficientes, mais interessantes, mais interativas, para que eu possa realmente ter esse engajamento e melhorar a educação dos meus alunos”, enfatizou a profissional.


Professora Avylin Silva destaca como a experiência internacional amplia na escola  (Foto: Raíssa Morais/ Meionews)


Avylin observa com entusiasmo as mudanças de postura, confiança e organização, que se refletem no restante da escola, contagiando toda a comunidade acadêmica.

Na roda de conversa, os alunos foram estimulados a pensar criativamente, exercitar confiança e apresentar ideias originais. Contaram suas trajetórias de forma inovadora e refletiram sobre a importância de acreditar no próprio potencial.

O exemplo deles se torna espelho para colegas.


Experiências dos alunos transforma a rotina da escola e inspira toda a comunidade (Foto: Raíssa Morais/ Meionews)

Pensando fora da caixinha

Ana Isabelly, Kelson e Gustavo Henrique evidenciam que a formação estudantil também se constrói na adaptação a novos contextos e na responsabilidade de fazer escolhas que exigem amadurecimento.

Ao final do encontro, fica claro que esses jovens não apenas absorveram conhecimento, mas também aprenderam a compartilhar, inspirar e transformar. Cada vivência se torna ferramenta para um futuro cheio de possibilidades, onde os sonhos se concretizam.

A experiência contagiou toda a comunidade escolar, mostrando que o aprendizado acontece quando incentivo, oportunidade e vontade de agir se encontram.

Na continuidade da série Do Enem para o Mundo, novos relatos mostram que a coragem de explorar horizontes desconhecidos e confiar na própria vocação é muitas vezes o primeiro passo para transformar talento em realização concreta.


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