Passados os debates em torno do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no início deste mês, especialistas seguem alertando para a necessidade de ampliar a discussão sobre os efeitos da crise climática em diferentes áreas da sociedade, especialmente na educação. Eventos extremos como enchentes, estiagens prolongadas, queimadas e ondas de calor têm provocado interrupções cada vez mais frequentes nas atividades escolares em diversas regiões do país, comprometendo o aprendizado de estudantes e aprofundando desigualdades educacionais já existentes.
Diante desse cenário, cresce a compreensão de que a garantia do direito à educação depende não apenas da infraestrutura escolar, mas também do fortalecimento da gestão educacional, da comunicação institucional e da capacidade das redes de ensino de assegurar a continuidade dos processos pedagógicos em situações de emergência.
Gestão educacional no centro do debate
O tema ganhou destaque recentemente durante o Seminário Internacional de Gestão Educacional, realizado em Brasília pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com o Instituto Unibanco. O encontro reuniu gestores públicos, pesquisadores e especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir os desafios da administração educacional em um contexto marcado pela implementação do Sistema Nacional de Educação (SNE), pela elaboração do novo Plano Nacional de Educação (PNE) e pela reformulação do Plano de Ações Articuladas (Novo PAR).
Entre os principais pontos debatidos esteve a necessidade de fortalecer as capacidades institucionais das redes de ensino para garantir a aprendizagem dos estudantes, especialmente após períodos de interrupção das aulas causados por eventos climáticos extremos. Os participantes defenderam uma atuação integrada entre gestão e área pedagógica, com planejamento estruturado, uso estratégico de dados e comunicação eficiente com as comunidades escolares.
Guias orientam resposta às emergências climáticas
Em meio ao avanço dos impactos climáticos sobre a educação, o Instituto Unibanco, em parceria com o Consórcio Amazônia Legal e com apoio do UNICEF e do Vozes da Educação, concluiu a série Educação e Emergências Climáticas com o lançamento de dois novos guias voltados à gestão educacional.
Publicados em maio, os materiais completam uma coleção de cinco cadernos que reúne conceitos, orientações e estratégias para apoiar redes de ensino e escolas na prevenção, preparação e resposta a situações de emergência climática.
Comunicação como ferramenta estratégica
O quarto volume da série, Comunicação em Contextos de Emergência Climática, destaca a importância da comunicação institucional para manter vínculos e garantir a circulação de informações confiáveis entre secretarias de educação, escolas, profissionais da área, estudantes e famílias.
O material apresenta orientações para organizar fluxos de comunicação antes, durante e após situações de crise, contribuindo para maior coordenação das ações e para a segurança das comunidades escolares.
Recomposição das aprendizagens
Já o quinto e último caderno, Continuidade Pedagógica e Recomposição das Aprendizagens, aborda os desafios enfrentados pelas redes de ensino para assegurar o aprendizado dos estudantes após longos períodos de interrupção das atividades escolares.
A publicação ressalta que a recuperação das aprendizagens depende de decisões estratégicas de gestão, incluindo a priorização curricular, o acompanhamento das trajetórias dos alunos e a articulação entre diferentes instâncias do sistema educacional.
O guia também apresenta alternativas para manutenção dos vínculos pedagógicos, reorganização curricular e retomada das atividades educacionais em cenários adversos.
Legado da COP 30
A série Educação e Emergências Climáticas teve início durante a COP 30, realizada em Belém, quando foram apresentados os três primeiros volumes: Fundamentos Conceituais, Logística e Infraestrutura e Acolhimento e Apoio Psicossocial.
O lançamento dos materiais durante uma das principais conferências globais sobre clima ajudou a inserir a educação no centro das discussões sobre adaptação climática, proteção de direitos e justiça social, especialmente em regiões mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, como a Amazônia Legal.
Com a publicação dos dois últimos cadernos, a coleção passa a oferecer um conjunto completo de orientações para apoiar gestores, escolas e redes de ensino na construção de sistemas educacionais mais resilientes, preparados para proteger vidas, preservar vínculos e garantir a continuidade da aprendizagem em contextos de emergência.
Série Educação e Emergências Climáticas
Educação e Emergências Climáticas: Caderno 1 - Fundamentos conceituais
Educação e emergências climáticas: Caderno 2 - Logística e Infraestrutura
Educação e emergências climáticas: Caderno 3 - Acolhimento e Apoio psicológico